A Banalização da Lipoaspiração


    Hoje veio ao meu consultório uma paciente interessada em fazer uma lipoaspiração. Uma de suas principais preocupações era se iria ficar algum tipo de cicatriz. Entretanto, como de costume, ao explicar para ela que nos locais de introdução das cânulas iriam ficar cicatrizes de cerca de 1cm de extensão, ela me disse que tinha interesse em fazer apenas uma hidrolipo e não uma lipoaspiração habitual.  Bem, vamos à crítica:
      Inicialmente é muito importante deixar claro que hidrolipo é a lipoaspiração habitual, o prefixo “hidro” é utilizado apenas para designar a utilização de solução aquosa juntamente com procedimento. Em mais de 95% dos procedimentos de lipoaspiração nós, cirurgiões plásticos,  injetamos previamente uma solução salina, geralmente acompanhada de adrenalina (para diminuir o sangramento) e anestésicos. Em raras exceções são realizadas lipoaspirações secas. O que acontece é que muitos estabelecimentos comerciais e até mesmo alguns colegas procuram divulgar nomes como minilipo, hidrolipo, lipolight, lipo tumescente, lipo a laser entre outros, para tentar atrair pacientes passando a imagem de um procedimento simples e sem complicações. O fato é que a lipoaspiração, ou qualquer uma dessas denominações propagadas na mídia, é uma procedimento cirúrgico e portanto, deve ser realizado por um cirurgião plástico com treinamento adequado e em local com estrutura apropriada. A grande maioria das complicações ocorrem exatamente pela banalização do procedimento; quando este é executado por profissionais não habilitados, em locais inapropriados, e muitas vezes, sem os mínimos preparos pré-operatórios e cuidados intra-operatórios necessários.
       A lipoaspiração, portanto, como qualquer outro procedimento cirúrgico, deixa cicatrizes. Porque sempre que ocorre um corte que ultrapasse todas as camadas da pele (epiderme, derme superficial e derme profunda), uma cicatriz irá aparecer no local. Embora nas cirurgias plásticas sejam feitas suturas com técnica adequada e de maneira a posicionar os cortes em locais aonde suas cicatrizes fiquem menos visíveis, elas sempre estarão presentes. Em adição, em mais de 50% das vezes em que o procedimento é realizado por um profissional qualificado, a qualidade das cicatrizes depende de fatores diretamente relacionados aos pacientes. Há cerca de 2 anos eu publiquei um artigo sobre cicatrização em cirurgias estéticas, na Revista Brasileira de Medicina. Destinado a médicos de todas as especialidades, este artigo está em uma linguagem relativamente simples e pode ser compreendido por pessoas não relacionadas à área médica. Para ler o artigo basta acessar o link: http://www.moreirajr.com.br/revistas.asp?fase=r003&id_materia=4151

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *